Sabe aquele jogo que você começa sem expectativa nenhuma, só pra passar o tempo?
Então, entrei em Live A Live com esse pensamento.
Achei que seria só mais um RPG retrô bonitinho, desses que a gente joga um pouco, acha curioso e nunca mais lembra.
No começo, confesso: não entendi nada da proposta, quase dropei… mas insisti.
E ainda bem, porque no fim o jogo me surpreendeu de um jeito que eu não esperava, daqueles que te lembram por que a gente gosta tanto de videogame.
Para quem nunca ouviu falar, Live A Live é um RPG dividido em várias histórias independentes, cada uma com um protagonista, um estilo e até uma era diferente, da pré-história ao futuro distante.
Cada capítulo tem suas próprias regras e personagens, e só depois de viver todas essas pequenas jornadas é que o jogo revela como tudo se conecta.
É quase como jogar uma antologia interativa, uma coletânea de mini-RPGs que juntos formam algo muito maior.

A primeira história que joguei foi a da Pré-história, e, simplesmente, foi uma bagunça.
Cômico, caótico, cheia de grunhidos e piadas… parecia uma comédia dos anos 90 em pixel art.
Eu, sinceramente, não tava entendendo muito bem qual era a proposta do jogo.
Ali eu pensei: “mano, será que é só isso o game todo?”
Mas fui guerreiro.
Depois veio o Faroeste, e aí comecei a ver que o jogo tinha algo diferente.
Uma vibe de filme, aquele clima de duelo e uma trilha que combina perfeitamente com o pôr do sol em 16 bits.
Mas ainda assim, eu achava que Live A Live era só uma coletânea de histórias curtas, legais, mas soltas.
A Virada: O Futuro Distante e o Robô Cube

Até que cheguei no Futuro Distante, e foi ali que o jogo mudou pra mim.
A história do robô Cube é praticamente um episódio de Black Mirror ou até mesmo de Love, Death & Robots.
Isolamento, humanidade e silêncio.
O tipo de narrativa que te prende sem precisar de grandes reviravoltas.
É estranho dizer isso, mas uma das histórias mais emocionantes do jogo é protagonizada por uma máquina.
Um robô que sente mais do que muita gente de carne e osso em jogo por aí.
O Capítulo do Shifu (O Meu Favorito)

Depois do Cube, o Japão Edo trouxe um contraste incrível, sombrio, violento, cheio de dilemas morais.
Mas foi na história do Shifu que Live A Live me ganhou de vez.
Foi ali que eu pensei: “ok, esse jogo é diferente.”
A história é simples, mas o peso emocional é gigante.
Cada treino, cada diálogo, cada escolha, tudo tem significado.
Você sente o tempo passando, vê os personagens evoluindo e entende o valor de cada momento.
É sobre ensinar, aprender, envelhecer e, no fim, aceitar.
Mas o que me prendeu de verdade foi o tom calmo e humano dessa parte.
Não tem pressa, não tem explosão, é puro sentimento.
De todos os capítulos, esse foi o que mais me marcou.
O Ritmo do Tempo e a Força da Simplicidade
No meio de tudo ainda tem “O Mais Forte”, que é pura pancadaria e serve como respiro entre duas histórias intensas.
E agora, jogando a Idade Média, dá pra sentir que o jogo tá preparando algo grande.
O mais curioso é que Live A Live é um jogo de 1994, mas soa mais atual que muita coisa lançada hoje.
Cada capítulo tem seu próprio ritmo, gênero e identidade, mas juntos eles formam algo único.
Como se o jogo inteiro fosse uma temporada interativa de Love, Death & Robots contada em forma de RPG.
Valeu a Jornada
No fim, Live A Live me ensinou uma coisa:
às vezes o jogo que você quase dropa é o que mais te marca.
Ele não te conquista com impacto, te conquista literalmente com o tempo.
“Comecei achando que era só mais um RPG. Terminei sentindo que vivi sete vidas em uma só.”
🔹 Live A Live (Remake) está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4/5 e PC (Steam).

Produtor de conteúdo e apaixonado por games. Cresci jogando Spyro, Crash, Final Fantasy e Mortal Kombat, hoje transformo essa paixão em projetos de vídeo e edição. Também sou otaku de carteirinha (com direito a tatuagem de anime!).
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