O Nemesis corre…o jogo também.
Se Resident Evil 2 foi tensão construída com cuidado do começo ao fim, Resident Evil 3 deixa claro que aqui o ritmo é outro. Não há muito tempo para pensar. A ameaça aparece cedo, e a regra é simples: correr.
Antes de qualquer coisa, preciso deixar claro: eu nunca joguei o Resident Evil 3 clássico. Este remake foi meu primeiro contato com essa história específica dentro da franquia. Não existia comparação direta com a versão original, nem memória afetiva para influenciar minha percepção. Entrei apenas com o que sempre ouvi sobre o jogo, principalmente as críticas relacionadas a cortes e à duração reduzida.
E, sendo honesto, muitas dessas críticas fazem sentido. Algumas delas eu senti na pele enquanto jogava. Ainda assim, enquanto estava com o controle na mão, eu me diverti.
Jill Valentine e um tom mais direto
Eu já conhecia a Jill Valentine por ter zerado o clássico Resident Evil e seu remake mais recente. Aqui, ela aparece mais ativa, mais direta, menos “aprendendo a sobreviver” e mais “tentando sair viva”.
Essa postura muda bastante o clima da experiência. Enquanto Leon em RE2 parecia descobrir o caos junto com o jogador, Jill já começa reagindo a ele. O jogo é mais acelerado, mais explosivo, e isso combina com a protagonista.
Nemesis: forte no começo, questionável depois
No começo ele impõe respeito. A figura humanoide funciona muito bem. Mas, conforme vai assumindo uma forma mais animal, parte do impacto se perde. E, sendo sincero, esteticamente eu prefiro o design antigo do Nemesis. A versão mais clássica, mais humanoide, me parece mais ameaçadora do que a transformação animalesca exagerada que vemos no remake.
Outro ponto que enfraquece um pouco essa ameaça é como, em alguns momentos, parece relativamente fácil interromper o ímpeto dele. Diferente da sensação quase inevitável que o Tyrant passava em Resident Evil 2, aqui eu senti que dava para controlar melhor a situação, o que reduz um pouco a tensão.
Não chega a estragar a experiência, mas reduz aquele sentimento constante de perseguição que marcou tanto o jogo anterior.
Linearidade, personagens rasos e gameplay forte
Comparado a RE2 Remake, fica claro que RE3 é muito mais linear. Existe menos exploração, menos construção gradual de atmosfera. A história avança rápido, e talvez rápido demais.
Alguns personagens aparecem, você mal tem tempo de absorver quem são… e dois minutos depois já era. Isso pesa, porque o jogo não constrói vínculos fortes o suficiente.
Por outro lado, a gameplay é a melhor parte do remake. A movimentação da Jill é mais ágil, o sistema de esquiva é satisfatório e o combate é dinâmico. Em vários momentos, eu me diverti mais jogando RE3 do que RE2, justamente pela fluidez.
Nem tudo, porém, é polido. Em algumas lutas contra chefes, a câmera parecia trabalhar contra mim. Eu mirava com L2, ela aproximava como esperado, mas ao soltar, o zoom às vezes demorava a normalizar. Pode parecer detalhe, mas no meio de um boss fight isso vira caos. E juntando isso com minhas habilidades nada impressionantes, não dava bom.
Duração e sensação de potencial desperdiçado
No meu caso, RE3 durou pouco mais de 9 horas.
Para comparação, apenas o lado A do Leon em Resident Evil 2 levou cerca de 11 horas, e o jogo ainda oferece uma campanha complementar.
Em RE3, quando os créditos sobem, fica aquele pensamento inevitável: “já?”. Não é apenas sobre o tempo bruto, mas sobre a sensação de que havia espaço para algo maior. Existem lacunas, cortes perceptíveis e momentos que aceleram demais.
Não é um jogo ruim, eu me diverti bastante. Mas, mesmo sem ter jogado o clássico, é impossível não sentir que ficou faltando algo.
Carlos e o momento “ok, exageramos”

Controlar o Carlos Oliveira foi uma adição interessante, principalmente por complementar eventos que acontecem quase simultaneamente aos de RE2.
Voltar à delegacia sob outro ponto de vista foi uma conexão muito legal.
Mas o soco no Licker… ali foi difícil defender. Não pela força absurda, mas pelo nível de estranheza. Está no mesmo campo do Chris Redfield socando a pedra em Resident Evil 5. É aquele momento em que você levanta a sobrancelha e aceita que a franquia às vezes gosta de exagerar.
Ao mesmo tempo, dá para entender de onde isso vem. O sistema de contra-ataque/parry do jogo permite momentos mais explosivos como esse. Funciona bem como mecânica, deixa o combate mais dinâmico, mas visualmente acaba puxando a cena para um exagero que quebra um pouco a imersão.
O efeito pós-créditos

Depois que terminei o jogo e deixei a experiência “assentar”, minha percepção começou a mudar um pouco. Durante a gameplay, tudo funciona muito bem: a ação é dinâmica, a movimentação é ágil e o ritmo acelerado mantém a tensão alta.
Mas, com um pouco de distância, comecei a perceber melhor as limitações. A estrutura mais linear, os personagens pouco desenvolvidos e a sensação de que algumas partes poderiam ter sido mais aprofundadas ficaram mais evidentes.
O que realmente se destaca são os modelos dos personagens e a direção de arte. Fora isso, a jogabilidade funciona bem, mas o conjunto ainda parece menor do que poderia ter sido.
Talvez Resident Evil 3 Remake seja um jogo que funciona muito bem no momento da adrenalina, mas que, ao ser analisado com calma, revela suas lacunas.
Conclusão

Mesmo com suas falhas, o jogo cumpriu seu papel e me deixou muito mais interessado em conhecer o Resident Evil 3 clássico. A curiosidade agora é entender melhor o que foi mantido, o que foi alterado e o que ficou de fora nessa adaptação.
Neste momento, inclusive, já estou mergulhado em Resident Evil 4, e esse, meus amigos… esse está muito, muito bom, aguardando o próximo capítulo da franquia com muito mais curiosidade do que medo.
Se a intenção era me trazer de vez para esse universo, missão cumprida.

Produtor de conteúdo e apaixonado por games. Cresci jogando Spyro, Crash, Final Fantasy e Mortal Kombat, hoje transformo essa paixão em projetos de vídeo e edição. Também sou otaku de carteirinha (com direito a tatuagem de anime!).
Descubra mais sobre AREA 78
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
