Leon: o homem que sobreviveu a Raccoon City
1. Fechando um ciclo antes do 9

Faltando menos de uma semana para o lançamento do novo capítulo da franquia, resolvi fechar um ciclo pessoal antes de apertar “novo jogo” em Resident Evil 9: Requiem.
O último da lista precisava ser ele: Resident Evil 4 Remake.
Dos três remakes que joguei recentemente, esse foi o que mais me prendeu. E não foi por nostalgia, porque, novamente, eu não tinha esse vínculo com o original. Meu contato com Resident Evil 4 sempre foi de longe, com memes, referências, a Ashley sendo carregada e o tal do Las Plagas… e claro, o lendário “tutorial de spray”, que virou quase patrimônio da internet gamer brasileira.
Aqui voltamos a controlar Leon S. Kennedy, seis anos depois do desastre em Raccoon City. Agora Leon é um agente treinado, mais confiante, mais agressivo. E isso muda tudo.
2. O combate que prende
Se em Resident Evil 2 Remake o foco era tensão constante e em Resident Evil 3 Remake o ritmo era mais direto, aqui o combate encontra um equilíbrio que simplesmente funciona.
O sistema de parry com a faca é o melhor exemplo disso. Em qualquer outro contexto poderia parecer exagerado. Aqui, não. Ele é parte central da identidade do jogo. Aparar golpes, reagir no tempo certo, finalizar inimigos, administrar durabilidade… tudo isso transforma o combate em algo mais ativo.
E o jogo prova que confia nesse sistema quando coloca você em um duelo praticamente inteiro de faca contra Jack Krauser. A cada errinho meu, uma facada no tempo errado, um parry atrasado, vinha punição. E punição pesada. Tinha golpe que arrancava metade da minha vida sem pedir licença.
3. O jogo que não te deixa parar

E depois de um confronto desses, eu achava que era o momento perfeito para parar.
Salvar. Respirar. Fechar o jogo.
Mas o problema é que o Resident Evil 4 Remake não deixa.
Você sai de uma luta tensa e já vem uma nova área. Um capítulo que termina com aquele gancho de história, quase te provocando.
Quando eu percebia, já tinha passado mais uma hora.
E eu nem tinha planejado jogar tudo isso.
4. Sem perseguidor fixo, mas com chefes marcantes

Diferente dos remakes anteriores, aqui não existe um perseguidor constante como Mr. X ou Nemesis. A tensão não vem de estar sendo caçado o tempo todo. Ela vem das situações. Das hordas agressivas. Dos cenários apertados. E principalmente dos chefes.
O confronto contra Krauser é técnico. O embate com Ramon Salazar é quase teatral. E o desfecho contra Osmund Saddler fecha a experiência com escala e impacto.
5. A Ashley e a quebra de ritmo

E no meio disso tudo, temos a Ashley.
Controlando o Leon, a relação com Ashley Graham é mais dinâmica do que eu esperava. Mandar ficar perto, pedir distância, proteger, resgatar… ela não é só um peso mecânico. Ela faz parte da estratégia.
Mas o momento que mais me surpreendeu foi quando o jogo entrega o controle para ela. Um trecho inteiro sem armas. Só uma lanterna. Vulnerável. A sensação ali muda completamente.
Não é aquela tensão explosiva das hordas ou dos chefes. É um desconforto constante. Você anda devagar, escutando cada som do cenário, torcendo para nada aparecer no corredor seguinte.
Eu já estava acostumado a reagir com o Leon.
Ali, eu voltei a hesitar.
6. O outro lado da história – Separate Ways

E quando você acha que acabou, entra o bônus: Resident Evil 4: Separate Ways.
Durante a campanha principal, a presença da Ada Wong sempre parece calculada demais para ser coincidência. Ela surge, salva o Leon, some. Sabemos que está trabalhando com Luis Serra atrás do tal Âmbar, mas muita coisa fica implícita.
Separate Ways não é só uma simples DLC. Ele reorganiza eventos, explica bastidores e entrega uma campanha com identidade própria. Ada joga diferente. Se movimenta diferente. Resolve conflitos de outra forma.
É a sensação de estar vendo a outra metade da história que corria paralela o tempo todo.
7. A jornada até o 9

No fim das contas, o hype faz sentido. O jogo é consistente do começo ao fim. Boa história. Gameplay refinada. Puzzles na medida. Ritmo que prende.
Eu sei que ainda falta estrada até chegar oficialmente no 9. Ainda tem Resident Evil 0, Resident Evil: Revelations, Resident Evil 5, Resident Evil 6, Resident Evil 7: Biohazard e Resident Evil Village.
Alguns eu já joguei, como o 5 e o 7. Outros ainda estão na lista.
Mas o meu objetivo era claro desde o começo: entender quem é, de fato, Leon S. Kennedy. Entender o peso de Raccoon City. Sentir essa evolução.
E depois dessa sequência, eu sinto que entendi muito mais.
E quando eu finalmente apertar “novo jogo” no próximo capítulo…
não vai ser só por hype.
Vai ser com contexto.

Produtor de conteúdo e apaixonado por games. Cresci jogando Spyro, Crash, Final Fantasy e Mortal Kombat, hoje transformo essa paixão em projetos de vídeo e edição. Também sou otaku de carteirinha (com direito a tatuagem de anime!).
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